tenho 11 alunas com vontade de aprender e fazer coisas bonitas
gosto




Recebi fotografias de prints dos meus trabalhos que habitam as casas da Micaela Neto e da Mafalda Nunes. Daqui



enviei esta natureza morta com ursinhos para a Sérvia
o meu contributo para a exposição colectiva BEARS-IN HONOR OF SPRING


Entrei em hibernação para fazer as ilustrações para o livro da minha amiga Raquel Caldevilla que ainda não posso revelar.


tive o prazer de participar numa plataforma que ensina a fazer as mais variadas coisas com o meu Little Miserable Book aqui

apareci no meio de gente talentosa ali no We Blog You


Passei o dia dos namorados a vender fanzines na Feira de Auto-edição na ó! Galeria.

Depois de fazer planos para 2014 apareci no blog Arteceteramag:

http://www.artceteramag.com/2014/01/little-miserable-book-by-mariana.html?m=1

Caros 5 leitores deste blog:
Já começa a ser normal escrever aqui uma vez por mês e fazer um enxurrada de posts para vos actualizar acerca do que ando a fazer. Todos os senhores do marketing irão dizer que é incorrecto acontece que nem sempre há tempo mas prometo pensar numa solução que me obrigue a postar com mais regularidade,
Este é o meu ano 2014 (sempre a crescer)

Esta foi a minha apresentação para o colóquio de ilustração que se realizou no dia 9 de Janeiro na Faculdade de Belas Artes de Lisboa.





 Há algumas semanas lancei um fanzine sobre resoluções de ano novo. Superar os medos é uma delas e um dos meus grandes medos é falar em público. Disseram-me para descontrair, para respirar, para imaginar a plateia nua. Acontece que chego aqui e tenho um AVC e esqueço completamente o que venho cá dizer,já me conheço, não tenho o dom das palavras e prefiro os desenhos. por isso, contra a opinião dos meus amigos e todos os critérios de marketing pessoal, vou ler esta apresentação para me certificar que não me escapa nada.

 Há cerca de um ano, num workshop, alguém me disse que ilustrar era contar histórias com imagens. Nunca mais ouvi uma definição tão adequada para o termo e deixo o trabalho de teorizar para outras pessoas enquanto me encolho na minha cadeira para desenhar. Não me preocupa não chamar as coisas pelos nomes, já que os territórios nos quais trabalho são feitos de areia movediça e tudo se mistura. Já se referiram a mim como pintora, artista plástica, designer, designer que quer ser artista, artista que tirou um curso de design, professora de EVT e, as finanças, como "outros artistas". Eu nunca gostei de ser a outra por isso hoje venho falar-vos disto que é ser miserável.

 O nome apareceu por acaso mas serviu como uma luva. Ser miserável é saber que sou a pessoa com mais azar desta sala mas aceitá-lo (ao azar) como um amigo chato e celebrar isso com desenhos.
É o assumir os erros, a minha natureza desastrada e a minha falta de jeito para desenhar.
Ser miserável é poder ser outra pessoa, é poder dividir-me e ter a confortante sensação que estou passar o trabalho e as responsabilidades para outras mãos. Dá também origem a uma biografia inventada mais poética que a real mas sempre com um fundo de verdade na qual posso dizer coisas como "vendi o meu coração numa loja de souvenirs para pagar a conta da água" ou "acredito que deus é um senhor divorciado que não ouve bem". 
 Quando era pequena (já desenhava mal e) queria ser florista porque ambicionava viver rodeada de coisas bonitas e ver que o meu trabalho directa ou indirectamente a fazer as pessoas felizes. 27 anos depois chego à conclusão que aquilo que faço, embora não tenha flores como matéria prima, acaba por ter os mesmos benefícios.

 O percurso não é de todo como imaginava. Eu achava que ia sair da facul- dade, enviar portefólios, trabalhar para alguém e receber sempre o mesmo ordenado ao fim do mês, achava que aos 27 anos seria adulta. Mas nem tudo é linear, escolhi uma vida de risco. Ser miserável é conseguir convencer os meus pais que não tenho vocação para medicina e que é isto que eu quero fazer custe o que custar mesmo que por vezes pareça confuso.

 Ser miserável é também perceber que nem tudo o que as revistas dizem é verdade. É estar "em alta" segundo a Visão e ter 9 euros na conta até ao fim do mês e a roupa estendida no meio da sala.

É aquele estranho momento em que recebo currículos de recém licenciados em design com o intuito de vir trabalhar comigo quando o meu atelier é o T0 onde vivo e o meu "ordenado" é quase imaginário.
Ser miserável é ficar admirada com as expectativas que os outros têm de mim. 

É viver num 2o andar na zona mais animada da baixa do Porto. É saber que estou a dois minutos a pé de tudo o que eu preciso e, no entanto, por vezes gostar de me fechar em casa dias a fio a desenhar. É encontrar quase sempre sem querer, inspiração nos vizinhos da Picaria e saber que quando preciso de ideias basta caminhar até ao supermercado.

É ter o hábito de descobrir, de me apaixonar e coleccionar projectos e ilustradores que me fazem sentir frustrada com o meu miserável portefólio mas, ao mesmo tempo, acabam por ter um efeito positivo ao inspirar-me e levar-me a querer trabalhar mais e fazer coisas novas. É ficar deslumbrada todos os dias.

 É ter a pior memória de sempre e sentir a necessidade de escrever listas para tudo, supermercado, objectivos de vida, afazeres do dia, do mês, do ano. Tenho os mais desconcertantes cadernos de desenho, que me acom- panham na mala e que, além de desenhos miniatura que mais ninguém compreende, são ocupados com palavras, com setas e esquemas mentais.

 Ser miserável é ter o colesterol de um senhor de 65 anos porque a imaginação alimenta-se assim, com aquilo que sabe melhor. É ter dias menos bons, semanas más, bloqueios e brancas. É ter ideias lentas que precisam de marinar na cabeça durante muito tempo antes de serem materializadas.

 Ser miserável é começar dias a decifrar e-mails com propostas de trabalho em espanhol. É saber que 99% das pessoas que conhecem o meu trabalho não tiveram oportunidade de o ver ao vivo. É ter de alimentar diariamente o facebook, o site, o blog, o flickr, o pinterest, o tumblr, o instagram e o society6 porque estes são importantes para divulgar aquilo que faço ou o que ando a preparar e acabam por gerar mais propostas de trabalho.

 Ser miserável é ser solidária com os sentimentais "encharcadores" de almofadas, provadores de lágrimas, afogadores de mágoas, engolidores de soluços, ouvintes de música triste em loop, perdedores de duelos .
É transformar a minha lamechisse natural e os desgostos amorosos em coisas mais positivas. É celebrar a ironia da vida, rir-me do azar e das expectativas frustradas. 
 É ser convidada para ilustrar a secção do consultório sentimental de um fanzine à conta desta fama de ser lamechas.
É também acreditar que a ilustração talvez seja a minha própria terapia porque nela exorcizo quase todos os meus males. 
É não lavar os pincéis, ter apreço pela imperfeição, pelo traço rude e corpos de proporções estranhas. O trabalho nasce assim, feio e grotesco. Mas fala de coisas delicadas, muitas vezes de inspiração "telenovelesca". Faço questão que haja sempre muito choro, muita baba, muito ranho.

É crescer todos os dias um bocadinho, perder o medo das alturas, sentir mais responsabilidade de trabalho para trabalho, descobrir materiais e suportes novos, apostar nos pormenores, tentar evoluir e aprender com quem sabe. É fazer coisas por iniciativa própria, não ficar à espera de propostas e deixar de lamentar as portas que não se abriram.

 Ser miserável é gostar de preparar exposições por serem elas que aceleram o método de trabalho e ajudam a contrariar a minha natureza de deixar tudo para a última da hora. Ensinam-me que as pessoas não mordem, obrigam-me a deixar os cantinhos e a habituar-me às conversas e ao ambiente das inaugurações.
É muitas vezes ter a oportunidade de não ver isto como uma coisa tão solitária e trabalhar juntamente com outras pessoas. 
 Contrariamente às exposições, nas quais que tenho liberdade total, gosto de trabalhar nos projectos em que sou uma mera convidada, porque é muito mais desafiante. Gosto das limitações, das imposições, aceito as críticas, faço melhor e tento corresponder às expectati- vas. Aguardo mais convites.


Ser miserável é escolher o que faço, é envolver-me apenas em projectos que gosto, receber muitos nãos e alguns sins e fazer tudo para que um dia seja possível viver disto. É ter conhecido grande parte dos meus amigos por causa dos desenhos, é lutar por um sonho. É conhecer-me a mim e aos outros, chegar a cada vez mais pessoas e comunicar. 


Finalmente recebi o livro Invasão das Edições Eterogémeas (http://www.eterogemeas.com/)
Uma caixinha cheia de gente talentosa que ao abrir dá vontade de emoldurar tudo.
Tenho muito orgulho de estar lá no meio.

Fica aqui um obrigada Luís Mendonça pelo convite.




só para te dizer que o meu coração está na biblioteca municipal de Almeirim na exposição colectiva de desenho e ilustração "Estrada Perdida" até ao dia 7 de Fevereiro organizada pela associação MASOQ . (obrigada Gonçalo Martins pelo convite**)
vídeo aqui: https://www.youtube.com/watch?v=h6EiGmI8JU8


















diz que ganhei dez caixas de vinho num concurso para concepção da imagem para a nova garrafa de MIURA♥ 

é desta que vou começar a gostar de beber vinho

https://www.facebook.com/events/757254650957670/806540352695766/?comment_id=806591096024025&notif_t=like



2013 ganhou o título de "pior ano de sempre" 

mas os monty pyton têm razão quando me dizem para olhar para o bright side of life. 
por isso, cá vai: conheci pessoas incríveis e cheias de potencial para ficarem comigo para sempre, consolidei amizades que tinha (obrigada, vocês sabem quem são porque me salvaram), continuei a fazer o que gosto e a ter cada vez mais reconhecimento e provas que é "isto" que tenho de continuar a fazer, superei medos e corações partidos, fui viver para um sítio bonito, aprendi a estar sozinha e a instalar antenas, cresci. 
o resto? o resto serve para me ensinar que nem tudo são rosas mas que, mesmo assim, i will survive.

acredito que 2014 seja melhor, é nisso que me vou concentrar por agora.
bom ano

lista de algumas das coisas que fiz em 2013:

JAN : window display - ó!galeria Pop-up store, Centro comercial Cidade do Porto
2 FEV : UIVO collective show - Fórum da Maia
FEV : Indie Lisboa Film Festival - poster
FEV: illustration to felicidario.encontrarse.pt
FEV : Commemorative postcard - Quintas de Leitura, TCA Porto
2MAR : solo show - Objectos Misturados, Viana do Castelo
15MAR : illustration to felicidario.encontrarse.pt
22MAR : Oblá fm Red Bull Music Academy Radio show - Plano B, Porto
30MAR : drawing for Fanzine Publications for Pleasure
18 APR : solo show - IDRAWALOT, Berlin
9 MAY : collective show Implosão - Silos, Caldas da Rainha
11 MAY : collective show Lobo Ibérico - Galeria Geraldes da Silva, Porto
18 MAY : collective show Invasão da Casa Andresen, Animais de Museu - Casa Andresen, Porto
22 MAY: collective show ILUSTRA 33- Central Station, Lisboa
12 JUL : collective show - Walk&Talk, Açores
3 AUG: collective show - Ó!galeria, Porto
10 AUG: Another History - Fabrica Features Lisboa with Maria Imaginário
21 SEP : solo show - ó!galeria, Porto
27 SEP : collective show WHAT THE HELL IS BOOTSBAU? - Bootsbau, Berlin
14 DEC : collective show Bedtime Stories - ó!galeria, Porto










E aqui está o post inteiramente dedicado a este zine (que, tal como o primeiro, foi uma luta para nascer)

O segundo da colecção Little Miserable Book cujo tema, mote para os 10 desenhos no interior, é "New  
Year's resolutions that are probably in vain".

Detalhes: 
Cópias: 100
Dimensão: A8
Capa: Letterpress em cartão
Interior: impresso a laser em papel Munken 100gr

Encomendas e beijinhos aqui: portadofrigorifico@gmail.com